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Morador de Araras ganha um novo coração

Há 11 anos, Renato Aparecido Perissato renasceu. O morador do bairro Nossa Senhora de Fátima entrou para a história como o primeiro ararense a passar por um transplante de coração, de acordo com sua mãe, a dedicada dona de casa Olga Moreira. A cirurgia aconteceu em 2002 no Instituto do Coração Dante Pazanesi, localizado na Capital Paulista.
A história de luta da família teve início após o nascimento de Renato, há 27 anos. Caçula de três irmãos, o rapaz nasceu com um grave e raro problema no coração, denominado Ventrículo Único. “Assim que nasceu, sofreu duas paradas respiratórias e fui informada sobre o problema apenas três semanas depois”, relatou Olga. Na época, os médicos informaram que o filho não viveria por muito tempo. “Disseram que teria apenas sete anos de vida, mas eu jamais perdi a esperança”, afirmou.


Os primeiros anos foram os mais complicados e Renato não podia praticar exercícios físicos e atividades comuns para uma criança. “Ele não podia ingerir líquidos pois os rins e o fígado estavam prejudicados pela doença”, detalhou a mãe. Além da doença, o jovem ainda lidou com o preconceito. “Eu jamais encarei as brincadeiras recebidas na escola ou nas ruas de forma negativa”, revelou que, meses antes do transplante, pesava apenas 29 quilos.
Para conseguir um novo coração, Olga e o filho foram para São Paulo para tratar do problema no Instituto Dante Pazanesi. Foram meses de espera e a fila para o transplante contava com mais de 2 mil nomes. Devido a gravidade do problema, Renato foi colocado à frente e, em 2002, a saúde se agravou e seu coração ficou ainda mais inchado.
“Foram 11 meses de muita ansiedade, espera e muito medo. Meu filho seria salvo apenas com o transplante e esperei muito. Só uma mãe sabe explicar a dor diante do problema do filho”, revelou a dedicada mãe que ficou um ano fora de casa para acompanhar a luta do filho. Meses depois, recebeu a informação do encontro de um doador.

 

“Deixa a vida me levar, vida leva eu”

A vida de Renato mudou em 2 de outubro de 2002, data do transplante do coração. “Quando me informaram sobre o doador fiquei ansioso e a viagem até o Hospital parecia uma eternidade”, relembrou. “Chegamos no Instituto e ele desapareceu. Liguei para a médica que informou que ele já estava na sala”, disse a mãe.
O transplante durou seis horas e, nesse período, a família Perissato esperou ansiosa para saber a reação do filho. “Foi um momento tenso, era tudo ou nada, e a cirurgia tinha riscos. Mas eu sempre tive fé”, afirmou. Já na sala de cirurgia, Renato confessou que não houve tempo para sentir medo. “Me recordo apenas da frase dita por uma enfermeira: assim que você acordar, comeremos pipoca e tomaremos Coca-Cola. Ao fundo, a equipe colocou para tocar a música do Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar, vida leva eu”, relembrou.


Seis horas depois, a família recebeu a notícia relatando o sucesso da cirurgia e Renato pode, finalmente, comer a pipoca e tomar o refrigerante. “O médico chorou quando me trouxe o refrigerante”, revelou. Mãe e filho permaneceram por mais três meses em São Paulo/SP, para recuperação, e voltaram para Araras. A recuperação foi aos poucos e, meses depois, o rapaz já pesava quase 50 quilos. “Hoje peso 77 quilos e tenho cuidados com a minha alimentação. Posso fazer tudo o que não fiz na infância, como caminhar e correr, por exemplo”, detalhou.


“O amor de uma mãe não tem limites e sou capaz de dar a minha vida pelos meus filhos. Apesar de não conhecer a família do doador, agradeço por salvarem a vida do Renato. Sei que existe um pedaço importante de alguém que já se foi, mas que o coração ainda bate no peito dele e considero meu filho o meu grande professor”, disse emocionada. “Não conheço o doador, mas só tenho a agradecer”, finalizou Renato.